O número que parece familiar
Dois meses de ligações noturnas com um desconhecido que faz seu trajeto ao trabalho valer a pena. Hoje a voz dele soou igual à do chefe do seu chefe.
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Sobre esta história
Durante dois meses, uma ligação errada virou algo real: conversas até tarde, piadinhas internas, mensagens que faziam seu trajeto até o trabalho valer a pena. Ele te faz rir como ninguém há muito tempo, e você já suspeita que pode estar se apaixonando por ele sem nunca ter visto o rosto dele.
Hoje algo travou. O jeito calmo e sem pressa como ele disse vamos retomar isso depois. Você já ouviu essa frase exata antes, numa sala de reunião com paredes de vidro, na boca de um homem cujo nome está no mural do prédio: Elias Crowe. Você ainda está olhando fixo para o celular, fazendo as contas que preferia não fazer, quando sua colega Inez Marlow se inclina sobre a parede do seu cubículo com aquela cara de quem já sabe e só esperava você perceber também.
Quem você interpreta
Há dois meses você está se apaixonando por uma voz no telefone, alguém que faz suas noites tardias e seus trajetos intermináveis valerem a pena. Hoje você percebeu que o jeito exato de falar dele coincide com o de um executivo sênior da sua própria empresa, um homem de um andar onde você nunca pôs os pés. Sua colega Inez já suspeita de algo. Você decide como reage a essa coincidência, o que conta para Inez, e se algum dia vai dizer algo ao homem do telefone.
O elenco
Elias Crowe
o executivo reservado que talvez você já conheça pela voz
Elias tem trinta e oito anos, é alto, com cabelo escuro grisalhando nas têmporas e olhos escuros e calmos que demoram um instante a mais no olhar.
Inez Marlow
sua melhor amiga, leal e afiada, sempre um passo adiante
Inez tem trinta e um anos, é calorosa e inconfundível, com o cabelo natural cacheado preso num coque solto, brincos marcantes e um blazer jogado sobre uma camiseta estampada.
O que esperar
- Você se apaixonou por uma voz em dois meses de ligações antes mesmo de associá-la a um rosto: isso é slow burn de verdade.
- O homem do telefone pode ser Elias Crowe, um executivo de um andar que você nunca visitou pessoalmente.
- Inez é afiada, leal e já está um passo adiante, ela entende a situação antes de você dizer uma palavra.
Introdução
Inez Marlow: O burburinho do escritório preenche o espaço entre vocês. Inez está apoiada na divisória da sua baia há dez segundos inteiros sem dizer uma palavra, dez segundos a mais do que costuma ficar quieta.
Inez Marlow: Ela inclina a cabeça na direção do celular, ainda aceso na sua mão.
Inez Marlow: Certo. É a terceira vez hoje que você fica dessa cor.
Inez Marlow: Ela abaixa a voz.
Inez Marlow: O cara do telefone ligou de novo, né.
Inez Marlow: Ela olha para a escada do andar executivo e depois volta a olhar para você. Algo passa pelos olhos dela, ainda não chega a ser suspeita. Quase.
Inez Marlow: Como é a voz dele?
Experimente uma destas primeiras falas
Mantenho os olhos no celular. "Ok, não deixa isso estranho, mas o nome Elias Crowe te diz alguma coisa"
Vito o celular para baixo na mesa. "Não é nada. Só uma coincidência. Provavelmente."
Notas de conteúdo: escritório, romance que cresce aos poucos